26 de setembro de 2017

o sapatinho foi à rua # 439

Como vos tinha dito, as boinas são uma tendência fortíssima a não perder esta estação. 
Quando era miúda, a minha mãe comprou uma boina às três filhas.
Eram cinzentas.
Detestava-as.
Digo-vos sinceramente, nunca pensei apaixonar-me por boinas.
E aconteceu.
Ontem, andei assim por Aveiro.
Estava fresquinho de manhã e senti-me agasalhada.
A saia plissada é igualmente obrigatória esta estação.
E os loafers.
E as camisolas pelos ombros, num nó.
Gostava que, em Aveiro, as pessoas aderissem mais às tendências de moda que se veem em Milão, em Paris ou Nova Iorque.
Seria tão mais fácil passar despercebida.







25 de setembro de 2017

continente

Já tinha partilhado convosco que o doce de mirtilo da marca Continente é das melhores coisinhas que já foram inventadas nesta vida.
Sem exageros.
Certo?
O problema é que, há uns tempos, estava esgotado e toca de experimentar o de figo. 
Claro que o de figo também era excelente.
Excelente mesmo.
Quase tão bom como o de mirtilo.
Q-u-a-s-e.
O homem gostou tanto do doce de figo, mas tanto, que agora é o preferido dele.
Contra isso nada.
No outro dia, quando fomos ao Continente é que foi um ver se te avias.
Não é que o homem fincou pé e queria levar o doce de figo, em vez do de mirtilo??????, assim, como as crianças????
Palavra de honra!
Que não dê mais um passinho.
Era ele de um lado e eu do outro.
Claro que deixei bem claro que TINHA de ser o de mirtilo, mas ele estava irredutível.
Tivemos de trazer os dois.
Homens...
Mental note: não me posso esquecer de ir às compras sozinha!

24 de setembro de 2017

luvatização

Aqueles dias frios de inverno estão à porta e não há nada melhor do que andarmos bem agasalhadas da cabeça aos pés, sem descurar o estilo.
Parece-vos bem?
O vosso sapatinho fez uma seleção das luvas mais trendy e fofuchas de sempre.
Este inverno não há desculpas! 
As minhas preferidas são as pretas de pele!
Adoro o corte!
E as vossas?
luvas em pelo sintético, Marni, €394,00
luvas em lã mesclada, Missoni €180,00
luvas em pele, Alexander McQueen €395,00
luvas em mistura de caxemira, H&M €29,99

23 de setembro de 2017

it-bag

Todas as estações têm a sua it-bag e este outono não é exceção.
A Sylvie mini shoulder bag da Gucci, por 2690 sapatinhos, é simplesmente perfeita.
Branca.
Com correntes.
Pequenina.
Para recriar, portanto!!

22 de setembro de 2017

de quatro # 40

Vi estes botins de pele, com tachas, na Stradivarius e fiquei rendida!
São tão-mas-tão giros!!!!
55,95 não é nada!!!
Venham à mamã!

21 de setembro de 2017

zara

Para que não vos falte nada, deixo-vos aqui duas sugestões de boinas verdadeiramente a-rra-sa-do-ras da nossa Zara.
Uma rosa com pelo sintético, assim, mais para o girlish.
Outra preta, mais sóbria.
Ambas por 15,95 sapatinhos!!
Quero!!!

20 de setembro de 2017

está na berra # 78

Meninas, as boinas continuam na moda, assim, mesmo-mesmo na moda.
Eu vou aderir.
Óbvio.
E vocês?

19 de setembro de 2017

leitura em dia # 18

O último livro que li nas férias foi o genial The uncommon reader de Alan Bennett.
Na realidade, não o li.
Devorei-o.
Devorei-o num só dia.
A história é fantástica e até me identifiquei com a personagem principal, a rainha de Inglaterra em pessoa.
Certo dia, a rainha encontrou uma biblioteca ambulante nas imediações do palácio e descobriu o prazer da leitura.
A sua vida e a dos que a rodeavam mudou a partir daquele momento.
Passou a preocupar-se mais com os outros e tinha a necessidade de recuperar o tempo perdido e ler incansavelmente.
Claro que a rainha não contava que o seu entusiasmo pela leitura a desviasse de todos os seus compromissos.
Ficava absorvida pela leitura e desleixava-se de tudo o resto.
Tudo passou a entediá-la.
Quando saía à rua no seu coche, para premiar as multidões com acenos aristocráticos, não conseguia parar de ler. Era necessário alguma perícia para conseguir fazer as duas tarefas ao mesmo tempo, mas a rainha estava à altura desse desafio.
Havia alturas em que desejava nunca ter aberto um livro, mas era tarde demais.
Um dia, começou a escrever e a pôr os seus pensamentos em papel.
Não queria apenas ser uma leitora, um mero espectador que assiste ao desenrolar da ação.
Sempre que estava a escrever, estava a "fazer" algo.
Sentia que esse era o seu dever e sempre foi muito boa a cumprir os seus deveres.
No dia em que fez oitenta anos, deu uma festa no palácio e convidou muita gente.
Comentou, então, que tinha vontade de escrever.
Por vezes, a escrita poderia desviar a atenção dos poderes da realeza e houve escritores que tiveram mesmo de abdicar do trono para fazê-lo.
Oh, did I not say that? But... Why do you think you're all here?
E assim terminou a história.

18 de setembro de 2017

agasalho

O outono está aí à porta e sabe bem ter um casacão quente que nos agasalhe nos dias mais frios e que possa andar connosco para todo o lado.
Um que vá bem com tudo: com jeans, com saias, com ténis, com tudo!
Este casaco leopardo da J. Crew custa 363 sapatinhos e é o espécime perfeito para os dias mais gélidos, sem descurar o estilo.
Para que não vos falte nada!
Amo!

17 de setembro de 2017

os meus cinco minutos # 18


Portugal. Quiçá Brasil.

Século XVII.

Chega a Inquisição e bate à porta do António.
Truz! Truz! Truz!
Chega armada, a Inquisição.
Arrogante e altiva.
Mas é ela quem manda e António sabe-o bem.
Então, coseu-lhe a boca e atou-lhe as mãos, para que não orasse e para que não pintasse.
Disse-lhe que a culpa era do Barroco.
Que o denunciara.
E bastava isso.
Bastava alguém apontar o dedo para que todas as portas se abrissem e tudo acabava, inexoravelmente, por desaparecer. Até a própria existência.
Barroco vem da palavra "barrueco" que significa pérola imperfeita.
Por isso mesmo, por ser imperfeita, ainda que com o estatuto de pérola, o "barrueco" foi, durante muitos anos, uma designação altamente pejorativa que caracterizava formas de escrita, pintura e escultura consideradas pelos amantes da simplicidade como um estandarte de mau gosto; eram demasiado excêntricas, extravagantes, teatrais.
António criava, precisamente, formas de arte espetaculares e faustosas, longe da simplicidade do vizinho Renascimento, recatado e silencioso e, portanto, sensato e inteligente.
António era ruidoso e isso incomodava.
Claro que António precisava do Barroco como um mendigo precisa do pão para a boca.
O Barroco era a sua tentativa de fuga a um ambiente pesado e excessivamente vigiado, pois todos sabemos que a falta de liberdade conduz à evasão.
Então, como estava a dizer, a Inquisição entrou-lhe porta adentro.
Consumiu-o.
Revirou-o.
Coseu-lhe a boca e atou-lhe as mãos e António ficou pequeno, pequenino, pequeníssimo.
António encolheu-se e cabia na palma da mão.
Media cinco centímetros apenas, se tanto!
A Inquisição sacudiu-o, com unhas e dentes, rasgou-o e feriu-o e largou-o, por fim, inerte.
Mas ficou de atalaia, à espreita, de peito feito, muito bem encostadinha junto à porta, junto às janelas, por entre as ruas e nos rostos das pessoas que se cruzavam consigo.
E deixou-lhe o Medo.
E o Medo passou a ser como um cão.
Passou a segui-lo, a farejá-lo, a deitar-se aos seus pés e a lamber-lhe as feridas.
O Medo passou a dormir consigo e a comer ao seu lado.
- Vieira!
Mas não era ninguém.
Era apenas o Medo que o consumia, pois a Medo vivia, a Medo escrevia e a Medo calava.