8 de dezembro de 2016

leitura em dia # 10

Sem muito tempo entre leituras e com timings apertadinhos, depois de Pedro Alecrim, embrenhei-me logo no Robinson Crusoé, de Daniel Dafoe.
Na realidade, não tenho muito a dizer desta obra.
Robinson é um homem aventureiro que nutre uma grande paixão pelo mar e pelas viagens em geral. Numa das suas muitas viagens, dá à costa numa ilha deserta, onde é o único sobrevivente.
Passam-se muitos anos e consegue adaptar-se a esta vida, construindo uma casa, criando gado ou cultivando vegetais.
Pelo meio, assistimos ao desespero de um homem que se depara com a solidão, com a escassez (de alimentos, de companhia, de roupa...), com canibais, com Sexta-feira, um escravo que salvara, com temporais e naufrágios.
Embora seja um clássico, achei a história um bocado parada e não me disse muito.
Todavia, os miúdos devem gostar, pois há muitas aventuras e artimanhas improváveis.

7 de dezembro de 2016

os meus cinco minutos # 2

É de manhã. O céu parece embaciado, de uma luz tímida e pueril. Boceja, sem pressa.
Estamos numa escola; daquelas de tijolo de burro, todas iguais, divididas em blocos.
As janelas das salas espreitam o amplo recinto de alcatrão, ansiosas, de cabeça ao ar e pestanas tremidas.
Já deve ter tocado para o intervalo. 
Os corredores e os bancos ganham volume, incham, rebentam pelas costuras. Ouvem-se zunzuns e gargalhadas. Vêem-se cabelos a voar, bocarras a rir e a comer, sapatos que palmilham o chão, velozes, e depois estacam.
Reparo num rapaz deficiente, de cara alegre e risonha, que se dirige a uma miúda gira; é, provavelmente, a miúda mais gira que ali está. 
Ele tem a cara achatada e o corpo sumido, curvado. A cabeça cai-lhe, de vez em quando, bruscamente, para o lado esquerdo e volta a endireitar-se, em poucos segundos. Está nisto o tempo todo.
Ela tem o rosto perfeito: os lábios delineados, os olhos docemente rasgados; e o cabelo perfeito, dourado, e o corpo perfeito, de menina-mulher. 
Ele diz que a ama e tenta abraçá-la.
Ela, o dobro dele, grita e rosna e empurra-o com força, sem medo de aleijar. - Não me toques! Vai-te embora! Metes-me nojo! - e volta a empurrá-lo, com força, e ele continua apaixonado.

6 de dezembro de 2016

home sweet home # 17

Este ano, ainda não fizemos a árvore de Natal cá por casa, o que é grave, pois a criança já anda a desesperar e a perguntar É hoje? É hoje? É hoje? umas 500 mil vezes por segundo. 
Mas calma, calma, que vai ser já para o próximo fim de semana. Sem falta. 
Aliás, está combinadíssimo.
Até lá, ando de olho nalguns enfeites natalícios para reforçar a decoração. Ontem, passei pela Loja do Gato Preto e apaixonei-me por este painel, com um sentido de humor incrível.
painel dear santa €29,95

5 de dezembro de 2016

toast lovers

Adoro torradas.
Juro.
Do fundo do coração.
Gosto mesmo.
Gosto mais de torradas do que sei lá quê!
Aliás, sou mulherzinha para comer torradas o dia inteiro: ao pequeno-almoço, a meio da manhã, ao lanche e depois do jantar, antes de ir para a cama.
Sim, eu sei, sou uma déspota das torradas, viciada ao mais alto nível, bla, bla, bla...
Posto isto, tenho, porque tenho, de vir aqui partilhar convosco e com a websfera a minha mais recente descoberta que vai mudar a vossa vida para sempre.
Estão preparados?
Em vez de cortarem o pão com uma faca antes de ir à torradeira, experimentem fazê-lo... à mão!
Assim... à jabardo...
Para os mais metódicos e organizadinhos, que não podem ver uma migalha à frente, eu tento explicar, vá!
Pegam no pão com firmeza, com as duas mãos, uma de cada lado e tau!, toca de o abrir ao meio, como quem descasca amendoins.
Certo?
Depois, enfiam os destroços dentro da torradeira, assim, como der, e, no final, já no prato, barram a torrada com manteiga q.b.
Depois, digam-me lá se o sabor não é muito melhor!
Vá, não se acanhem!
Estou para ver a primeira alma penada a chegar aqui, corajosamente, e abrir-se ao mundo, a confessar a experiência degustativa mais caricata do universo.
Quem está comigo?

4 de dezembro de 2016

o sapatinho foi à rua # 376

Não chove.
Aproveito este solzito bom para dar um giro por aí, de manhã.
O destaque deste look vai, obrigatoriamente, para os sapatos. 
Usam-se assim. 
Bicudos. 
Rasos. 
Com atacas.
E, se o padrão for leopardo, tanto melhor.
Estes rasteirinhos da Parfois são de pele e são muito confortáveis.
O lenço, além de ser um dos apontamentos estrela da estação, dá um twist mais formal à vestimenta e podemos dispensar a camisa. Adoro a mistura das cores.
Vemo-nos por aí!




3 de dezembro de 2016

leitura em dia # 9

As leituras têm andado em dia, sim senhor.
Depois de Rosa, minha irmã Rosa, da grande senhora Alice Vieira, que foi uma doçura de livro, atirei-me de cabeça para o Pedro Alecrim, de António Mota e, digo-vos, mal sabia eu onde me ia meter.
Foi um verdadeiro pesadelo.
Desculpem-me, mas foi.
Não estou a exagerar.
De todo.
Temos de ser sinceros e pôr as cartas na mesa.
A história é francamente amarga e deprimente.
Desanimadora, até.
O Pedro Alecrim e o amigo viviam uma vida de dificuldades e adversidades. Estudar era um privilégio para uns, uma tortura para outros e algo meramente banal e corriqueiro para poucos.
O trabalho em casa tinha de ser feito e o trabalho no campo era pesado. Não havia tempo nem desculpas para poderem ser crianças.
Entretanto, o escritor arremessa-nos um ou outro episódio de bullying, um divórcio inesperado pelo meio, a doença grave do pai de Pedro, com sangue para aqui, sangue para acolá, e uma mãe que envelhecia com o trabalho e o sofrimento, e emagrecia até quase se lhe verem os ossos.
E depois, como se não bastasse, ainda tropeçamos na morte do pai de Pedro.
Assim.
Crua.
Dura.
Como um tapete que nos é puxado por baixo dos pés.
Chocou-me a descrição dos móveis a serem arredados da sala para que a urna entrasse; o cheiro a velas, que é, a bem dizer, o cheiro dos funerais e dos mortos.
Temos ainda o amigo, no final da história, que vai trabalhar para a cidade, mas que é enganado no trabalho e, em vez de servir às mesas num café, vai lavar garrafas para o quintal, lá atrás. Para cúmulo, não sabe quanto vai ganhar ao fim do mês, pois foi o irmão que combinou tudo com o patrão. Tem, obrigatoriamente, de ajudar a pagar as contas da casa que partilha com o irmão e a cunhada (que parece ser um pequeno Hitler) e tem ainda de pagar a lixívia que é usada na sanita devido ao mau cheiro, pois a cidade revela-se barulhenta e putrefacta, e as saudades apertam.
Pronto.
Ufa!
Já está!
Que alívio!
Estão a ver como não exagerei?
Não quero ser injusta, mas este foi o livro mais triste e deprimente que já li, escrito de uma forma simplista, com uma linguagem quase infantil, dirigido às crianças.
Espero que o Bernardo não tenha de ler o Pedro Alecrim no 6º ano.

2 de dezembro de 2016

os meus cinco minutos # 1

Cansaço.
Hoje, o meu corpo queixa-se, piegas!
As costas chiam. 
Os ombros chiam.
O pescoço chia.
Trrrrrrrrr...
As costas.
As costas são um relógio, daqueles de corda, que vai roendo o espaço e a corda, e parece desabar.
É sexta-feira.
As sextas-feiras são dias complicados.
Difíceis até!
São corropios e corre-corres.
São refeições à carreira.
São pesos de livros e de capas. E mais livros e mais capas.
São o corpo vertido a jorrar sobre as secretárias. Aqui. Agora ali. Agora aqui e ali, aqui e ali. Agora, além e acolá.
São os diz-que-disse, o burburinho que nasce, cresce e grita com gritos.
Afinal, as costas são as raízes do corpo. Ficam duras. Cristalizam. Eriçam-se como gatos e pedem colo.
Uma caneca fumegante de chá espera por mim na banca da cozinha. 
Solitária.
... 
Parece chamar as gatas que se dão e entregam e ondulam para mim.
A sexta-feira não parece passar por elas, não. 
São amigas, elas!, parvas, egoístas, arrogantes! Encostam-se, roçam-se e olham-me, olham-me!para se roçarem também em mim, de certeza, mas não alinho. 
Não contem comigo.
Não me meto com sextas-feiras.

1 de dezembro de 2016

a espuma do meu café # 38

Sabes, filho, a mamã mudou o cabeçalho do blog e tirou o sapatinho.
Que fixe! A minha bebé está a crescer!

30 de novembro de 2016

queridos, mudei o blog

Por vezes, na vida, temos de parar para pensar.
Pensar no que nos move e, sobretudo, repensar quem somos; traçar objetivos e metas e não desistir daquilo em que acreditamos.
Foi precisamente o que me aconteceu nestas semanas em que não pus cá os pés.
Parei para pensar.
Parar para pensar é algo muito pouco comum em mim. Normalmente, penso em movimento. Não preciso de parar.
Desta vez, foi diferente.
Esta pausa foi o fim de um momento e o recomeço de outro enquanto pessoa, enquanto profissional e enquanto blogger.
Conheci novas pessoas, abracei novos projetos na minha área de formação e tornei-me mais exigente.
Claro que as saudades foram muitas, mas as certezas também.
Mas vamos ao que interessa.
Queridos, mudei o blog.
Não totalmente, claro, mas dei umas pinceladas aqui e umas marteladas acolá.
Primeiro, achei importante mudar o cabeçalho e tirar o sapatinho amarelo que lhe dava um ar muito "gaja".
Quis, com isto, torná-lo mais sóbrio e clean.
Então, a fonte da letra, agora, é outra, em caps lock, e o "o" final parece-se, propositadamente, com uma espécie de doughnut guloso, que todos nós adoramos.
Este "o" vai ser a nossa imagem de marca, a partir de agora.
Por isso, espero que gostem.
Depois, em relação ao conteúdo, embora continuemos juntos e mais fortes do que nunca, quero aprofundá-lo um pouco mais e dar-lhe mais de mim.
Assim, atenção!, temos nova rubrica, para quando me apetecer ter "os meus 5 minutos".
Precisamente.
Será uma rubrica mais séria.
Um estado de alma.
Uma descrição.
Um sentimento.
Basicamente, o que bem me apetecer deitar cá para fora.
Curiosos?
Vamos estar atentos.